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Auditoria do TCE aponta irregularidades em infraestrutura e alimentação de escolas municipais de Parnamirim

Uma Auditoria Especial de Conformidade realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) identificou uma série de irregularidades nas condições de infraestrutura, acessibilidade, saneamento e alimentação escolar da rede municipal de ensino de Parnamirim, no Sertão pernambucano.

A fiscalização, referente ao exercício de 2025, vistoriou 17 das 22 escolas municipais, o equivalente a 77,27% da rede. De acordo com o Acórdão T.C. nº 1644/2026, todas as unidades visitadas apresentaram problemas estruturais, de saneamento básico ou relacionados à alimentação escolar. O município recebeu classificação “Faixa D” tanto em infraestrutura quanto em alimentação escolar, considerada uma situação crítica.

Entre os principais achados está a ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido em 100% das escolas vistoriadas. Para o TCE-PE, a situação representa uma grave irregularidade relacionada à segurança contra incêndios e à proteção da comunidade escolar.

A auditoria também encontrou infiltrações, rachaduras, pisos danificados, equipamentos inadequados e falta de espaços pedagógicos suficientes. Em algumas unidades, foram identificadas rachaduras consideradas de risco potencial à integridade física de alunos e profissionais.

O relatório apontou ainda problemas no abastecimento e no controle sanitário da água. Entre as irregularidades estão a ausência de comprovantes de limpeza dos reservatórios, falta de certificação de potabilidade e situações de abastecimento precário.

Outro ponto destacado foi a prática de queima de lixo. Segundo o TCE-PE, 13 das 17 escolas vistoriadas realizavam essa prática, considerada inadequada do ponto de vista ambiental e sanitário. A maioria das unidades também utiliza fossas sépticas.

A fiscalização identificou falhas importantes de acessibilidade, incluindo ausência ou inadequação de rampas, portas incompatíveis e insuficiência ou precariedade de banheiros adaptados.

Segundo o Tribunal, essas condições comprometem a inclusão escolar e os princípios de igualdade de acesso e permanência dos estudantes na escola.

A alimentação oferecida aos estudantes também foi alvo de diversas observações. Embora todas as escolas possuam cardápio, a auditoria encontrou ausência de opções adaptadas para alunos com necessidades alimentares específicas, além de falhas no controle de estoque e divergências entre os alimentos previstos e aqueles efetivamente servidos.

Nas cozinhas e áreas de armazenamento foram identificados alimentos vencidos, armazenamento inadequado, ausência de telas de proteção, equipamentos danificados, armários enferrujados, presença de animais e utilização de produtos ultraprocessados em algumas unidades.

O TCE também apontou ausência de ações efetivas de educação alimentar e nutricional e de normas internas destinadas à promoção de uma alimentação saudável.

Diante das irregularidades, a Primeira Câmara do Tribunal de Contas de Pernambuco determinou que a Prefeitura de Parnamirim adote as providências necessárias para sanar os problemas identificados nas escolas fiscalizadas.

O prazo estabelecido para o cumprimento das medidas é de 360 dias. O Tribunal também recomendou que a rede municipal adote boas práticas relacionadas à infraestrutura e à alimentação escolar, conforme normas do FNDE, Conselho Nacional de Educação e Anvisa.

A decisão foi aprovada por unanimidade pela Primeira Câmara do TCE-PE, tendo como relator o conselheiro Dirceu Rodolfo de Melo Júnior.

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