Pernambuco consolida sua importância no mapa da vitivinicultura nacional, com destaque para o Vale do São Francisco, especialmente os municípios de Petrolina e Lagoa Grande, reconhecidos como a segunda maior região produtora de uvas e vinhos do país, atrás apenas da tradicional Serra Gaúcha.
A irrigação proporcionada pelo Velho Chico permite uma vantagem climática ímpar: graças ao clima tropical semiárido e ao abastecimento hídrico contínuo, é possível realizar duas ou mais safras de uvas por ano, uma condição rara no mundo e que eleva tanto a produtividade quanto a competitividade da produção regional.
De acordo com dados oficiais da Embrapa e do IBGE, o conjunto de municípios do Vale do São Francisco respondeu em 2024 por aproximadamente 851 mil toneladas de uvas, com produtividade média estimada em 47,2 toneladas por hectare, significativamente superior à média nacional e reforçando a vocação agrícola da região.
No contexto nacional, o Nordeste, liderado por Pernambuco, participou com cerca de 77% do volume total colhido no país, e o Vale do São Francisco foi responsável por mais de 5,2 bilhões de reais em valor de produção, ou cerca de 77% do valor gerado pela cultura da uva no Brasil.
A região também exerce protagonismo no comércio internacional. O Vale do São Francisco responde por 95% de toda a uva de mesa exportada pelo Brasil, com Pernambuco liderando o embarque de frutos para o exterior, seguido pela Bahia.
Segundo registros comerciais recentes, as exportações de uvas brasileiras alcançaram volumes expressivos, com destinos que incluem Holanda, Reino Unido, Estados Unidos e Argentina, gerando dezenas de milhões de dólares em receitas nos primeiros meses de 2025.
Apesar de uma parte relevante da produção ainda ser destinada ao mercado interno, a vocação exportadora da fruticultura irrigada tem se fortalecido, impulsionada pela qualidade das uvas e pela demanda global por frutas brasileiras.
Além das uvas de mesa, diversas vinícolas instaladas na região têm conquistado reconhecimento pelo Brasil e pelo mundo produzindo vinhos finos e espumantes com características tropicais únicas, resultado do terroir diferenciado do semiárido, que confere aos vinhos aromas e sabores distintos dos produzidos em climas temperados.
A produção de vinhos finos na região é concentrada em aproximadamente 500 hectares de vinhedos de Vitis vinifera, com cultivares adaptadas ao regime de produção contínua e que possibilitam colheitas ao longo de todo o ano.
O fortalecimento da vitivinicultura no Vale do São Francisco tem impulsionado não apenas a agricultura, mas também a economia local e o turismo enogastronômico, atraindo investimentos e ações de promoção da cultura do vinho tropical.
Com produção crescente, ampliação das exportações e vinhos que ganham espaço no mercado global, Pernambuco reafirma seu papel como um dos pilares da vitivinicultura brasileira moderna.